Já me disseram que tudo começa no princípio; também disseram que princípios não se constroem em mesa de bar; como disseram que se constroem, sim. Ora, já me disseram coisa para caralho, com o perdão da palavra. E, no fim, decidi que quem diz e faz sou eu: e do meu jeito. Imprimo meu ser e assino. Assinado eu, assinado quem?! Somos seres assinantes, e enquanto nomes, para mim, às vezes são apenas e somente nomes, outras vezes são muito mais que isso. Se analiso discursos, nem sempre conheço tudo o que encontro; porém, quando é necessário, me procuro.

Na época em que matutava criações escritas e uma assinatura, em mesa de bar ouvi pela primeira vez algo que me caiu como uma luva. No terraço do Maletta, eu estava em fase boa: muitos planos, um fósforo aceso no peito, prestes a mudar de cidade (não sabia ainda, mas me aguardavam algumas noites frias do curso noturno ou alegrias da bochecha vermelha com o álcool no forró). À minha frente, algumas amizades e uma comanda cheia – preocupante!. O ar cheirava a molho. Ao meu lado se sentava meu dengo. 

- Foi engraçado, olha só...

Surgiu no engraçado e depois tornou-se um pouco mais complexo, mas bonito. Quem falava...

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Deu errado

 

Ri ontem da ingenuidade de quem me olha e não me lê: recordações de uma conversa que seria crônica se não parecesse microconto. Gêneros a parte, não se tome cuidado e há sempre a chance desentendimentos, e em papo de sexo...

Aconteceu faz tempo. Sexta-feira à tarde, brotavam as conversas debochadas entre risos safados. Casos de bochechas vermelhas e felizes. Histórias que teriam classificação 18+ e são trocadas entre faces amigas. Havia, também, as semiconhecidas.

A mesa amarela já tinha muitas manchas, mas ninguém se importava. Na quinta ou sexta cerveja estávamos todas cheias de reclamações bem humoradas. Primeiro falamos de gelo no corpo. Depois, o papo ficou cilíndrico. Uma disse algo sobre comprimento. A outra sobre a qualidade de certos brinquedinhos. A outra, sobre grossura. Unindo tudo, entrei também no assunto, bêbada e com uma pilha de pequenos fracassos sexuais para desabafar:

- Teve uma vez que inventamos de tentar colocar duas, três camisinhas ( - Quê?) no treco lá né... para ver se engrossava um pouco, porque era mais fininho. ( - acho bobeira / - peraí, quê? ) Deu errado e- -

- Claro que deu. Desse jeito você rasga tudo e vai acabar com doença. – disse a moça do “quê”.

Atenuei o riso. Mas é claro que eu me cuidava... Olhei para uma amiga, e continuei:

- Acho que como só uma de nós duas usava o treco, foi tranq...

- “Só uma de nós duas”??!!!! Ih, tinha mais, era ménage? Piorou! Estoura, engravida, numa dessas pega doença, ou...

Finalmente, entendi o desentendido. Olhei para o teto, de novo isso?! Meu Deus, nunca acaba... Lá vamos nós:

- Ô Bem...! Eu sou lésbica.

- Ah. Então não era...

- É.

- Era só um...

- Ahã. Eu comprei.

- Ah. AAH.

Veio a mescla da cara de tacho com a de avestruz, e eu apenas ri. Héteros...

 

 

                

                    Asss.: lebiSca.

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